domingo, 31 de outubro de 2010

Discurso de Dilma













Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.
Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.
Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.
A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!
Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:
Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.
O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.
É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.
Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.
A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.
O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.
Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.
Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.
No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.
Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.
Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.
É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.
Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.
Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.
Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.
Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.
Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.
Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.
As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.
Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.
Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.
Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.
Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.
Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.
Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.
Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.
A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.
É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.
Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.
Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.
Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.
Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.
Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.
Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.
Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.
Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.
Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.
Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.
Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.
Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.
Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.
Saberei consolidar e avançar sua obra.
Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.
Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.
União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.
Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.
Muito obrigada,


Welcome to the future. Your newspaper is here.



http://graphics8.nytimes.com/images/2010/09/21/timestopics/topics-dilma-190/topics-dilma-190-articleInline.jpg


Andre Penner/Associated Press
Updated: Oct. 4, 2010

Dilma Rousseff, the former chief of staff for President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil and the candidate hand-picked to succeed him, is leading in her bid to be Brazil's first female president.
But election officials said Ms. Rousseff, an economist and politician, had failed to come up with enough votes in the early October election to avoid a second round. She had 46.8 percent of the votes to 32.6 percent for her closest rival, the former governor of São Paulo, José Serra. Ms. Rousseff needed to exceed 50 percent of the vote total to win outright.

The race will now be decided with an Oct. 31 runoff. Ms. Rousseff was denied her victory by a strong showing by a third candidate, Marina Silva, the Green Party candidate and a former environmental minister, who captured more than 19 percent.

Analysts expressed little doubt that Ms. Rousseff, 62, would prevail in a second round against Mr. Serra. Despite her lack of political experience and public charm, she has ridden a wave of prosperity and good feeling in Brazil under the leadership of Mr. da Silva, whose approval ratings hover near 80 percent.

After two four-year terms, Mr. da Silva is barred by Brazil’s Constitution from running for a third consecutive term — although he could run again in four years.

If elected, Ms. Rousseff will join a wave of elected female leaders breaking the gender barrier in the past five years, including Michelle Bachelet of Chile, Cristina Fernández de Kirchner of Argentina and Germany’s chancellor, Angela Merkel.

Read More...

Dilma Rousseff (PT) é a primeira mulher presidente do Brasil

Dilma Rousseff (PT) é a primeira mulher presidente do Brasil

Ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma foi alçada já em 2008 à condição de candidata pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que começou então a dar as primeiras indicações de que gostaria de ver uma mulher ocupando o posto mais importante da República.

Em 31 de março deste ano, Dilma deixou a Casa Civil para entrar na pré-campanha.

Cresceu nas pesquisas e chegou a ter mais de 50% dos votos válidos em todas elas, mas começou a oscilar negativamente dias antes do primeiro turno, após a revelação dos escândalos de corrupção na Casa Civil e da entrada do tema do aborto na campanha.

Logo no primeiro debate do segundo turno, reagiu aos ataques que vinha sofrendo e contra-atacou Serra. A partir daquele momento, a diferença entre os dois candidatos nas pesquisas parou de cair.

Dilma se torna neste domingo o 40º presidente da República brasileira.

NOME FORTE

Dilma tornou-se um nome forte para disputar o cargo ao assumir o posto de ministra-chefe da Casa Civil, em junho de 2005, após a queda de José Dirceu no escândalo do mensalão.

No comando da Casa Civil, Dilma travou uma intensa disputa com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, por causa da política econômica do governo. Enquanto ele defendia aperto fiscal, ela pregava aceleração nos gastos e queda nos juros.

Dilma acabou assistindo à queda de Palocci, em março de 2006, devido à quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Com a reeleição de Lula e sem grandes rivais à altura no PT, Dilma tornou-se, depois do presidente, o grande nome do governo.

Apesar do poder acumulado e do protagonismo que passou a exercer ao lado de Lula, até outubro de 2007 Dilma negava que seria candidata.

MINAS E ENERGIA

Sua atuação à frente do Ministério de Minas e Energia rendera-lhe a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enxergou na subordinada, de perfil discreto e trabalhador, a substituta ideal para o posto de Dirceu.

Ela foi indicada para o ministério logo após Lula se tornar presidente, em 2002. No comando da pasta, anunciou novas regras para o setor elétrico além de lançar o programa Luz para Todos --uma das bandeiras de sua candidatura.

O novo marco regulatório para o setor elétrico --lançado em 2004-- foi considerado a primeira iniciativa do governo Lula, na área de infra-estrutura, de romper com os padrões do governo FHC, marcado pelo "apagão" de 2001.

A principal característica do novo marco foi o aumento do poder do Estado em detrimento da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

ORIGEM

O pai de Dilma, Pedro Rousseff, veio para a América Latina na década de 30 do século passado. Viúvo, deixara um filho, Luben, na Bulgária. Passou por Salvador, Buenos Aires e acabou se instalando em São Paulo. Fez negócios na construção civil e com empreitadas para grandes empresas, como a Mannesmann.

Já estava havia cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em solo mineiro. Casaram-se e tiveram três filhos. Igor nasceu em janeiro de 1947, Dilma, em dezembro do mesmo ano, e Zana, em 1951. A família escolheu Belo Horizonte para morar.

Levavam uma vida confortável. Passavam férias no Espírito Santo ou no Rio. Às vezes, viajavam de avião. Não era uma clássica família tradicional mineira. Os filhos não precisavam ter uma religião. Escolhiam uma fé se assim desejassem. O pai frequentava cassinos, gostava de fumar e beber socialmente.

Quando morreu, em 1962, Pedro deixou a família numa situação tranquila. Cerca de 15 bons imóveis garantem renda para a viúva Dilma Jane até hoje. Um dos apartamentos fica no centro de Belo Horizonte.

DILMA JÁ É A NOSSA PRESIDENTE!!!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

Explode coração... na maior felicidade! É Dilma lá!

A esperança venceu o medo.
A confiança também venceu o medo.
A verdade venceu a mentira.
A honestidade venceu a baixaria.
A blogosfera venceu o PIG.
Quem ganhou foi o Brasil e o povo brasileiro, porque com Dilma o governo iniciado com Lula terá sequência, em boas mãos.
Agora é hora de festejar.

Cloaca News: DE QUE LADO ESTÁ O SR. CLOACA?

Cloaca News: DE QUE LADO ESTÁ O SR. CLOACA?: "."

BOM DILMA 13!

sábado, 30 de outubro de 2010

Leonardo Boff, aborto e o Papa: “É importante não sermos vítimas de hipocrisia”

29 de outubro de 2010 às 16:32
por Leonardo Boffno informativo Rede de Cristãos
É importante que na intervenção do Papa na política interna do Brasil acerca do tema do aborto, tenhamos presente este fato para não sermos vítimas de hipocrisia: nos catolicíssimos países como Portugal, Espanha, Bélgica, e na Itália dos Papas já se fez a descriminalização do aborto (Cada um pode entrar no Google e constatar isso). Todos os apelos dos Papas em contra,  não modificaram a opinião da população quando se fez um plebiscito. Ela viu bem: não se trata  apenas do aspecto moral,  a ser sempre considerado (somos contra o aborto), mas deve-se atender também a seu aspecto de saúde pública. No Brasil acada dois dias morre uma mulher por abortos mal feitos , como foi publicado recentemente em O Globo na primeira página. Diante de tal fato devemos chamar a polícia ou chamar médico? O espírito humanitário e a compaixão nos obriga a chamar o médico até para não sermos acusados de crime de omissão de socorro.
Curiosamente, a descriminalização do aborto nestes países fez com que o número de abortos diminuisse consideravelmente.
O organismo da ONU que cuida das Populações demonstrou há anos que quando as mulheres são educadas e conscientizadas, elas regulam a maternidade e o número de abortos cai enormente. Portanto, o dever do Estado e da sociedade é educar e conscientizar e não simplesmente condenar as mulheres que, sob pressões de toda ordem, praticam o aborto. É impiedade impor sofrimento a quem já sofre.
Vale lembrar que o canon 1398 condena com a excomunhão automática quem pratica o aborto e cria as condições para que seja feito. Ora, foi sob FHC  e sendo ministro da saude José Serra que foi introduzido o aborto na legislação, nas duas condições previstas em lei: em caso de estupro ou de risco de morte da mãe. Se alguém é fundamentalista e aplica este canon, tanto  Serra quanto  Fernando Henrique estariam excomungados. E Serra nem poderia ter comungado em Aparecida como ostensivamente o fez. Mas pessoalmene não o faria por achar esse cânon excessivamente rigoroso.
Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez.  Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz ao feto, por não ter os orgãos todos preparados, apelou para este canon 1398 e excomungou os medicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.
Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez.  Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz é edicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.
É bom que mantenhamos o espírito crítico face a esta inoportuna intervenção do Papa na política brasileira fazendo-se cabo eleitoral dos grupos mais conservadores. Mas o povo mais consciente tem, neste momento, dificuldade em aceitar a autoridade moral de um Papa que durante anos, como Cardeal, ocultou o  crime de pedofilia de padres e de bispos.
Como cristãos escutaremos a voz do Papa, mas neste caso, em que uma eleição está em jogo, devemos recordar que o Estado brasileiro é laico e pluralista. Tanto o Vaticano e o Governo devem respeitar os termos do tratado que foi firmado recentemente onde se respeitam as autonomias e se enfatiza a não intervenção na política interna do pais, seja na do Vaticano seja na do Brasil.
Um abraço fraterno
Leonardo Boff

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LEMONDE DESTACA A AÇÃO DA IMPRENSA GOLPISTA NO BRASIL

Une presse très remontée contre Lula
30.09.2010 | Paul Jürgens | Courrier international
Le Monde, Jornal Francês dedica uma matéria analítica sobre a manipulação da informação por empresas jornalísticas brasileiras: Rede Globo, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e, a Revista Veja (grupo Abril).
A matéria desenha um verdadeiro golpe da "mídia golpista" para distorcer a informação e forjar a opinião.
A crítica à imprensa brasileira é uma verdadeira vergonha à ética jornalística  um ataque a um dos mais elementares direitos da democracia, pelo viés do leitor: o direito à informação, mas à informação de cunho verdadeiro, checada, apurada e contextualizada.


A imprensa brasileira tornou-se uma grande chincana, ao modelo do que ocorre na Venezuela, tentando a promoção do golpe contra o Presidente Lula, contra a Democracia e Contra o Povo Brasileiro.

 



N° 1039
30 sept.
Brésil : Le miracle Lula existe-t-il ?
à la une

© Courrier International

France
Courrier international
Trois semaines de suite, en septembre, Veja se déchaîne contre Lula (“supion” en portugais), surnommé “le poulpe”. Ici, le poulpe menace de tout engloutir :  1   Le service public : “Le parti du poulpe”.  2  L’argent des contribuables : “Le poulpe au pouvoir”.  3 
 Le palais présidentiel : “La joie du poulpe”.  4 
 A la une de Folha de São Paulo du 5 septembre, “Par la faute de Dilma, les consommateurs devront payer 1 milliard de reais”.  5 
 A la une d’Extra, le 1er septembre : “Lula est super”. Un titre ironique, alors que l’article est à charge.
Trois semaines de suite, en septembre, Veja se déchaîne contre Lula (“supion” en portugais), surnommé “le poulpe”. Ici, le poulpe menace de tout engloutir :  1   Le service public : “Le parti du poulpe”.  2  L’argent des contribuables : “Le poulpe au pouvoir”.  3  Le palais présidentiel : “La joie du poulpe”.  4  A la une de Folha de São Paulo du 5 septembre, “Par la faute de Dilma, les consommateurs devront payer 1 milliard de reais”.  5  A la une d’Extra, le 1er septembre : “Lula est super”. Un titre ironique, alors que l’article est à charge.
Sondages
Malgré la perte de quelques points après la démission d’Erenice Guerra, un proche de Dilma Rousseff, pour une affaire de corruption, les derniers sondages placent toujours la candidate de Lula largement en tête. L’institut Ibope la crédite de 50 % des voix et Datafolha lui donne 49 %. José Serra, le candidat de la droite (PSDB), récolterait 28 % des votes, tandis que la représentante des verts (PV) Marina Silva totaliserait 12 % des suffrages. Dans ce contexte, le débat télévisé du 30 septembre entre Dilma Rousseff et José Serra est crucial. Si la candidate s’en sort mal, elle devra sans doute disputer le second tour.

DE RIO DE JANEIRO
Dans la dernière ligne droite de la campagne, le torchon brûle entre les grands journaux et le gouvernement. Ce phénomène s’est déjà produit lors de la réélection de Lula, en 2006, lorsque les classes moyennes aisées l’avaient lâché. Quatre grandes familles se partagent le contrôle des principaux médias : les Marinho, propriétaires du quotidien de Rio O Globo et de la toute-puissante Télé Globo ; les Mesquita de O Estado de São Paulo ; les Frias, de Folha de São Paulo ; et les Civita, de la maison d’édition Abril, éditeur du principal hebdomadaire, Veja. Ces grandes familles ne se sont jamais remises de l’élection de Lula, ce président peu instruit, venu d’un Etat pauvre et issu du syndicalisme.

Récemment, ces médias ont déclenché une campagne contre Dilma Rousseff, la candidate de Lula, dans l’espoir d’évincer de la présidence le Parti des travailleurs : on a donc pu lire beaucoup de bilans négatifs des années Lula et force articles sur les affaires de corruption qui ont émaillé les huit ans de gouvernance du PT. Il est vrai que le gouvernement lui-même a fourni des munitions à ses adversaires avec une succession de scandales : le plus célèbre d’entre eux, le “Mensalão”, en 2005, avait coûté son poste au Premier ministre, José Dirceu, alors candidat naturel à la succession.

Dilma Rousseff n’est pas encore élue qu’elle doit faire face à des accusations de trafic d’influence qui, le 16 septembre, ont conduit à la démission son bras droit, Erenice Guerra. La semaine dernière, on a vu dans les rues de São Paulo des manifestations “pour la défense de la démocratie”, mais aussi d’autres “contre les abus de la presse”.

Les relations de Lula avec la presse n’ont jamais été cordiales. En 2004, la présidence avait même menacé d’expulser le correspondant du New York Times, Larry Rohter, qui avait laissé entendre que Lula buvait trop 5 (voir aussi cet article écrit par Larry Rohter). A la veille de l’élection, le président continue de se plaindre de l’attitude hostile des médias à l’égard du PT, ce qui suscite des réactions indignées de ces médias. Beaucoup d’éditorialistes lui reprochent de trop se consacrer à la campagne de sa candidate, au détriment des affaires de l’Etat. La charge des journaux est parfois caricaturale. Ainsi, Folha de São Paulo, en septembre, n’a pas hésité à rendre Dilma Rousseff responsable de la perte de 1 milliard de dollars (voir la une de Folha de São Paulo ci-dessus) pour avoir mis trop de temps à changer une loi sur l’énergie qui avait été votée à la fin du mandat de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002). Cependant, l’électorat n’est pas dupe : à la suite de cette affaire, des blagues ont massivement circulé sur Twitter, attribuant à Dilma Rousseff tous les maux de la planète. La presse semble d’ailleurs avoir perdu de son influence d’antan. Le fait que son lectorat se cantonne majoritairement à la région Sud-Est, la plus riche du pays, limite aujourd’hui son rayonnement. La société a désormais accès à l’information à travers des milliers d’ONG et d’associations, sans oublier le rôle essentiel d’Internet. Et les chaînes de télévision gratuites, qui restent de loin la plus importante source d’infos, ont adopté une certaine prudence dans leurs critiques du gouvernement : sans doute pour ne pas s’aliéner leurs publics naturels, composés des plus défavorisés et des classes moyennes inférieures, qui continuent d’aduler un président qui leur ressemble.